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Dólar digital tem FGC? O que o seguro de depósitos cobre e o que fica de fora

Não. Um dólar digital é um token, não um depósito em banco. O que o seguro de depósitos cobre no Brasil, na Colômbia, nos Estados Unidos e no México, até quanto, e o que perguntar ao aplicativo.

A resposta curta

Não. Um dólar digital não é um depósito bancário, e os seguros de depósitos cobrem depósitos.

Um dólar digital é um token emitido por uma empresa. O guia de dólar digital explica quem dá lastro a ele. Esta página responde a outra pergunta: se alguém quebrar no caminho, existe um fundo que devolva o dinheiro, como acontece com uma conta em banco?

Nos Estados Unidos, a lei GENIUS, sancionada em 18 de julho de 2025, trata disso na seção 4(e): as stablecoins de pagamento não têm lastro nem garantia do governo e não estão sujeitas ao seguro de depósitos da FDIC, e a lei declara ilegal apresentá-las como se estivessem.

O que um seguro de depósitos cobre

Um seguro de depósitos paga aos depositantes, até um limite, quando quebra uma instituição que faz parte do sistema. Não cobre a queda de preço de um investimento, nem roubo ou fraude, nem a quebra de uma empresa que não é banco.

A FDIC, que garante os depósitos bancários nos Estados Unidos, resume assim: por lei, ela só garante depósitos em bancos segurados, e só se o banco quebrar. Os produtos típicos são a conta corrente, a conta de poupança e o certificado de depósito.

Quatro seguros, a mesma regra

Cada país tem o seu. Mudam o limite e os nomes dos produtos. A regra é a mesma nos quatro: cobrem depósitos em instituições que fazem parte do sistema. A tabela está em ordem alfabética.

Os dados vêm do FGC, do Fogafín, da FDIC e da lei mexicana de proteção à poupança bancária, aplicada pelo IPAB. O FGC tem ainda um teto de R$ 1 milhão em quatro anos. As UDIS são unidades de investimento, uma unidade de conta mexicana.

Seguros de depósitos, segundo quem os administra

Brasil

Quem paga
Fundo Garantidor de Créditos (FGC)
Limite
R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, em cada instituição ou conglomerado
O que cobre
Conta corrente, poupança, CDB, RDB e letras como LCI e LCA

Colômbia

Quem paga
Fogafín
Limite
50 milhões de pesos por depositante, em cada entidade inscrita
O que cobre
Contas correntes e de poupança, CDT e depósitos de baixo valor, entre outros

Estados Unidos

Quem paga
FDIC
Limite
250 mil dólares por depositante, por banco segurado e por categoria de titularidade
O que cobre
Contas correntes e de poupança e certificados de depósito

México

Quem paga
IPAB
Limite
400 mil UDIS por pessoa, em cada banco
O que cobre
Os depósitos, empréstimos e créditos que a lei indica, devidos por um banco

Por que o dólar digital fica de fora

Há três razões, e qualquer uma basta.

A primeira é o que ele é. A FDIC diz que não garante ativos emitidos por entidades que não são bancos, como as empresas de criptoativos, e põe os criptoativos na lista de produtos sem seguro, ao lado das ações e dos títulos.

A segunda é quem oferece. Segundo o mesmo informativo, o seguro não protege contra a inadimplência, a insolvência ou a falência de uma entidade não bancária, e cita custodiantes de criptoativos, corretoras, intermediários, provedores de carteiras e neobancos. O Fogafín exclui do seu seguro os produtos oferecidos por entidades não inscritas.

A terceira é onde ele está. Cada seguro cobre o seu próprio sistema. O FGC não cobre depósitos nem outros recursos captados no exterior. A lei mexicana garante obrigações a cargo de bancos.

«Mas as reservas estão em um banco»

Pode ser verdade para uma parte das reservas, e não muda a resposta. O emissor ter dinheiro em um banco não transforma o seu token em um depósito no seu nome.

A Lex, que oferece dólares digitais, escreve isso no seu guia: uma stablecoin não é um depósito bancário, mesmo quando parte das reservas está em bancos, e não tem cobertura da FDIC, do IPAB, do FGC ou de qualquer seguro de depósitos.

Março de 2023 mostrou o problema pelo outro lado. Quebrou um banco em que havia reservas da USDC, e o token chegou a ser negociado abaixo de um dólar naquele fim de semana. O guia de dólar digital conta o caso.

Frases para ler duas vezes

A FDIC publicou o informativo em 2022 porque, segundo explica, algumas empresas de criptoativos tinham apresentado os seus produtos aos clientes como cobertos pelo seguro de depósitos. «Lastreado», «recursos em bancos» e «protegido» não querem dizer «garantido por um seguro de depósitos».

As autoridades oferecem formas de conferir. A FDIC tem um buscador, o BankFind, para saber se uma entidade é um banco segurado, e um portal para denunciar quem apresenta como segurado algo que não é. Na Colômbia, os extratos e a publicidade dos produtos protegidos devem trazer o selo do seguro de depósitos do Fogafín. No México, a lei obriga os bancos a informar aos usuários o tipo e o valor das operações garantidas.

Um exemplo com o limite

O limite também conta quando o seguro existe. Um exemplo com saldos inventados, no Brasil.

Você tem R$ 300 mil entre conta corrente e CDB na mesma instituição associada ao FGC, e ela quebra. O FGC soma os créditos do mesmo CPF naquela instituição ou conglomerado e garante até R$ 250 mil. Os R$ 50 mil restantes ficam fora da garantia.

Se esses R$ 300 mil estivessem em dólares digitais dentro de um aplicativo, a conta seria outra. Eles não são nenhum dos produtos da lista do FGC, e a garantia não entra nela.

Então, o que existe por trás de um dólar digital?

Não é um seguro. São três coisas, e nenhuma é uma garantia pública: as reservas do emissor, a sua possibilidade de resgatar ou vender o token e as regras que o emissor precisa cumprir. O guia de dólar digital passa por elas, e a comparação entre USDT e USDC mostra no que dois emissores diferem.

A pergunta muda. Com uma conta em banco, você pergunta o que acontece se o banco quebrar, e a resposta é o seguro, até o limite. Com um dólar digital, você pergunta o que acontece se o emissor falhar e o que acontece se o aplicativo falhar, e a resposta está nos documentos deles.

Cinco perguntas para o seu aplicativo

As respostas deveriam estar nos termos do aplicativo, não na publicidade. A nossa página de como medimos explica de onde tiramos o que dizemos sobre cada um.

  • O que eu tenho é um depósito em uma instituição coberta, ou um token?
  • Se está escrito «garantido» ou «protegido», por quem, até quanto e em nome de quem?
  • Quem emite o token, e onde publica as reservas?
  • O que acontece com o meu saldo se o aplicativo fechar ou quebrar?
  • Como volto para a moeda local, e quanto custa?

O que esta página não cobre

Revisamos quatro sistemas: Brasil, Colômbia, Estados Unidos e México. Não revisamos a Argentina nem o Peru. Os limites são os que cada instituição publicava em 9 de outubro de 2026, e podem mudar.

O informativo da FDIC é de julho de 2022. A lei GENIUS é posterior, e várias das suas obrigações começam a valer em datas que a própria lei define. Esta página não é orientação jurídica: descreve o que esses textos dizem.