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O endereço está certo? O que a sua carteira confere antes de enviar USDT ou USDC, e o que ela não consegue conferir

Um endereço do Ethereum ou da Tron traz um controle que denuncia quase qualquer erro de digitação. Como funciona o do Ethereum, com maiúsculas e minúsculas, e o da Tron, com quatro bytes no fim; o que acontece se o endereço chega todo em minúsculas, e os dois erros que nenhum controle detecta: o endereço de outra pessoa e a rede errada.

A resposta curta

A sua carteira consegue detectar quase todos os erros de digitação, mas não todos os erros. No Ethereum, o endereço leva um controle escondido nas maiúsculas e minúsculas, definido na proposta ERC-55: segundo os autores, um endereço digitado errado passa nesse controle por acidente só 0,0247% das vezes, uma em cada 4.049. Na Tron, o endereço termina em um controle de 4 bytes.

O que nenhum controle sabe é se o endereço, bem escrito, é de quem você pensa, nem se você escolheu a rede certa. Para isso não há atalho: é preciso comparar o endereço inteiro com o que quem recebe passou e confirmar a rede.

Como é um endereço

No Ethereum, segundo a página de contas do ethereum.org, o endereço público sai dos últimos 20 bytes do hash Keccak-256 da chave pública, com 0x na frente. Por isso ele tem 42 caracteres: 0x e 40 caracteres hexadecimais, de 0 a 9 e de a a f.

Na Tron, segundo a sua documentação de contas, o mesmo endereço é escrito de duas formas. A que aparece em carteiras e exploradores tem 34 caracteres e começa com T, como TNPeeaaFB7K9cmo4uQpcU32zGK8G1NYqeL. A outra, em hexadecimal, começa com 41. Na Solana, a sua página de contas descreve cada endereço como 32 bytes: uma chave pública Ed25519 ou um endereço derivado de um programa.

O controle do Ethereum está nas maiúsculas

A proposta ERC-55 usa algo que os endereços já tinham de sobra: as letras de a a f podem ser escritas em maiúscula ou minúscula sem mudar o endereço. A regra calcula um hash do endereço escrito em minúsculas e, letra por letra, a põe em maiúscula se o dígito correspondente nesse hash for 8 ou mais, e em minúscula se for menor. Os números ficam como estão.

Assim, o mesmo endereço pode ser escrito 0xfb6916095ca1df60bb79ce92ce3ea74c37c5d359 ou, com o seu controle, 0xfB6916095ca1df60bB79Ce92cE3Ea74c37c5d359; os dois exemplos são do próprio documento. Uma carteira que aplica a regra refaz o cálculo e compara: se você mudou um caractere, o mais provável é que as maiúsculas não batam mais.

O documento estima que há em média 15 bits de controle por endereço e que a probabilidade de um endereço digitado errado passar por acidente é de 0,0247%. Os autores reconhecem que é menos que um controle de 4 bytes.

Se mandarem o endereço todo em minúsculas

O controle mora nas maiúsculas. Se você copiar o endereço do jeito que a carteira de quem recebe mostra, a sua carteira consegue conferi-lo. Se alguém o reescrever todo em minúsculas, essa informação se perde e a carteira não tem com o que comparar as letras.

Por isso vale pedir que quem recebe copie o endereço da própria carteira ou mostre o código QR, em vez de ditá-lo ou digitá-lo à mão.

O controle da Tron: quatro bytes no fim

A página da Tron sobre a codificação de endereços explica como se monta o endereço que começa com T. Pegam-se os 21 bytes do endereço, que são um prefixo de rede, 0x41, e 20 bytes derivados da chave pública; calcula-se duas vezes o hash SHA-256; acrescentam-se no fim os 4 primeiros bytes do resultado, e os 25 bytes são escritos em base58. Na leitura, esses 4 bytes finais são verificados.

Fizemos o teste com um script sobre o endereço de exemplo da documentação da Tron. Trocamos cada caractere, menos o T inicial, por cada um dos outros 57 símbolos possíveis: das 1.881 variantes, nenhuma passou no controle. Também não passou nenhuma das 30 que surgem ao inverter dois caracteres vizinhos.

O que cada controle detecta

A tabela resume o que vimos. Nenhum controle substitui comparar o endereço e a rede.

Que erros o controle de um endereço detecta no Ethereum (ERC-55) e na Tron (Base58Check)

Um caractere digitado errado

Ethereum, com ERC-55
Quase sempre: passa por acidente 0,0247% das vezes, se o endereço mantiver as maiúsculas
Tron
Sim: nenhuma das nossas 1.881 variantes passou

Maiúsculas e minúsculas trocadas

Ethereum, com ERC-55
Se o reescreverem todo em minúsculas, o controle das letras se perde
Tron
São caracteres diferentes: entre as nossas 1.881 variantes havia essas trocas, e nenhuma passou

Um endereço válido de outra pessoa

Ethereum, com ERC-55
Não detecta
Tron
Não detecta

A rede errada

Ethereum, com ERC-55
Não detecta
Tron
Não detecta

Os dois erros que nenhum controle vê

O controle confere que o endereço é coerente consigo mesmo, não de quem ele é. Se você copiar um endereço de uma mensagem antiga, do seu histórico ou da conversa errada, ele está bem escrito e passa no controle, mesmo que não seja da pessoa que você queria pagar.

Ele também não diz em que rede você está. Na ERC-55, o cálculo usa só os caracteres do endereço; nada nele identifica a rede. Escolher a rede é um passo à parte, e o guia sobre em que rede está o seu dólar digital explica o que pode acontecer se ela não for a mesma de quem recebe. Nas páginas da Solana que lemos não encontramos um controle equivalente; o que cada carteira confere nessa rede não verificamos.

Antes de enviar

Seis passos que não dependem de nenhum controle.

  • Peça o endereço e a rede por escrito a quem recebe, copiados da carteira dele, ou escaneie o código QR.
  • Copie e cole; não digite o endereço nem o reescreva em minúsculas.
  • Compare o endereço inteiro com o que passaram para você, não só os primeiros e os últimos caracteres.
  • Confirme que a rede que você escolheu é a mesma que indicaram.
  • Se for a primeira vez ou o valor for alto, mande antes um teste pequeno e espere a confirmação; custa mais uma taxa de rede.
  • Depois de confirmar, salve o endereço na agenda da sua carteira, se ela tiver, para não precisar copiá-lo de novo.

Se você já enviou

Uma transação confirmada não se desfaz pela sua carteira. Confira no explorador de blocos para que endereço e em que rede ela saiu, como explica o guia para conferir um envio, e, se o endereço for de uma plataforma, escreva para ela com o hash da transação. Se alguém pedir a sua frase de recuperação para «recuperar» o envio, é golpe: o guia sobre golpes com dólares digitais reúne os sinais.

Os limites desta página

Lemos a proposta ERC-55, a página do ethereum.org sobre contas, as páginas da Tron sobre contas e sobre a codificação de endereços e a página da Solana sobre contas em 23 de outubro de 2026. O teste das variantes foi feito com um script sobre um único endereço de exemplo. Não testamos nenhuma carteira nem plataforma e não sabemos quais aplicam cada controle. Esta página não é uma recomendação.